O cenário imobiliário no Brasil está passando por uma reconfiguração significativa, com cidades fora do eixo tradicional Rio-São Paulo ganhando destaque. De acordo com o Índice de Demanda Imobiliária (IDI) Brasil, elaborado pelo ecossistema Sienge em parceria com a CBIC, 81 cidades foram analisadas para medir a procura por imóveis de diferentes padrões. Este estudo visa identificar onde há uma demanda sólida para novos empreendimentos.
O mercado de imóveis de alto padrão, voltado para famílias com renda superior a R$24 mil mensais, tem visto um crescimento notável no Centro-Oeste. Brasília lidera o ranking nacional pelo segundo trimestre consecutivo, com Goiânia ocupando a terceira posição. Este avanço é atribuído à robusta economia local, impulsionada por setores como agronegócio e serviços.
No segmento de médio padrão, destinado a famílias com renda entre R$12 mil e R$24 mil, cidades de médio porte estão se destacando. Maringá, por exemplo, subiu dez posições, alcançando o quinto lugar nacional. A infraestrutura desenvolvida e a qualidade de vida são fatores que atraem a demanda nessas regiões.
Fortaleza lidera o segmento econômico, voltado para famílias com renda entre R$2 mil e R$12 mil, graças à forte presença do programa Minha Casa Minha Vida. Este programa tem sido crucial para mitigar os efeitos dos juros altos nos financiamentos imobiliários, especialmente em cidades como Curitiba, que enfrenta uma demanda reprimida devido a restrições urbanísticas.
O IDI é uma ferramenta valiosa para incorporadoras e investidores, ajudando a identificar oportunidades reais de expansão em mercados menos saturados. Segundo José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, o indicador oferece uma visão estruturada da demanda, essencial para decisões estratégicas no setor.