O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), referência para ajustes de contratos de aluguel no Brasil, apresentou uma alta de 2,73% em abril, marcando a maior variação mensal desde maio de 2021, quando subiu 4,1%. Com isso, o índice acumulou um aumento de 0,61% nos últimos 12 meses, retornando ao campo positivo pela primeira vez desde outubro de 2025. No mesmo período do ano anterior, o índice havia registrado um aumento de 8,5%, indicando um cenário mais moderado, apesar da recente aceleração.
Os contratos de aluguel que utilizam o IGP-M para correção e têm aniversário em maio serão diretamente afetados pela leitura de abril. Considerando o aumento acumulado de 0,61% em 12 meses, um aluguel de R$ 3.000, por exemplo, terá um acréscimo de aproximadamente R$ 18,30, elevando o valor mensal para cerca de R$ 3.018,30. Apesar do avanço expressivo no mês, o impacto final é limitado pelo baixo acumulado anual.
Desde dezembro de 2025, muitos contratos estavam sendo ajustados por um IGP-M negativo, o que impedia aumentos no valor do aluguel. No entanto, com o índice agora positivo, esse período de “congelamento” chega ao fim, permitindo que os reajustes sejam aplicados novamente.
A recente alta do IGP-M está relacionada ao cenário internacional, especialmente devido ao conflito no Irã, que afeta as cadeias globais de energia e insumos. O índice é composto por preços ao produtor, ao consumidor e custos da construção, todos impactados por esse contexto. Entre os principais efeitos, destacam-se:
- Aumento de cerca de 6% nas matérias-primas brutas no atacado
- Alta nos preços dos combustíveis, como gasolina (+6,3%) e diesel (+14,9%)
- Pressão sobre produtos petroquímicos, essenciais para a indústria e o varejo
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que faz parte do cálculo do IGP-M, subiu 1,04% em abril, refletindo o aumento dos preços de materiais como concreto, tubos de PVC e blocos. A expectativa é que essa pressão continue ao longo de 2026, com projeções de que o INCC possa se aproximar de 10% no acumulado do ano, impactando tanto o custo de novos empreendimentos quanto o valor final dos imóveis e financiamentos.
Com o IGP-M novamente positivo, o mercado de locação entra em um novo ciclo de reajustes, ainda que moderados inicialmente. Nos próximos meses, o cenário dependerá de fatores externos, como o comportamento dos preços do petróleo e a estabilidade geopolítica. Caso as pressões persistam, o índice pode ganhar força e impactar mais significativamente os contratos de aluguel. Inquilinos e proprietários devem ficar atentos às cláusulas contratuais e ao índice de correção adotado, especialmente em um ambiente econômico volátil.
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