O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (29), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 14,5% ao ano. Essa decisão, que já era antecipada pelo mercado, ocorre em um cenário de incertezas globais, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio, iniciado há cerca de dois meses.
O Copom destacou que o ambiente externo continua incerto, com indefinições sobre a duração e os impactos dos conflitos geopolíticos na região do Oriente Médio. Essas tensões têm influenciado as condições financeiras globais, exigindo cautela dos países emergentes devido à volatilidade nos preços de ativos e commodities.
O Banco Central revisou suas projeções de inflação para 2026, elevando-as para 4,6%, acima do teto da meta, que anteriormente era de 3,9%. Para o quarto trimestre de 2027, a expectativa subiu de 3,3% para 3,5%. O Copom reafirmou a necessidade de serenidade na condução da política monetária, condicionando os próximos passos à evolução dos conflitos e seus efeitos nos preços.
O boletim Focus indica que o mercado ainda espera novas reduções na Selic ao longo do ano, embora as expectativas para juros e inflação tenham piorado. No setor imobiliário, a queda da Selic pode melhorar gradualmente as condições de crédito, mas sem efeitos imediatos significativos. Incorporadores e corretores devem observar uma recuperação lenta da demanda, enquanto investidores permanecem atentos ao custo de capital e à inflação.
A reunião do Copom contou com a participação de seis membros, devido à ausência de três integrantes. Duas vagas estão abertas após as saídas de Diogo Guillen e Renato Gomes, e o diretor Rodrigo Alves Teixeira não participou por motivos pessoais. As funções estão sendo acumuladas por outros diretores até que o comitê seja recomposto.