A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) prevê que as taxas de juros para financiamentos imobiliários devem permanecer próximas de 12% ao ano até 2027, devido à manutenção da Selic em níveis elevados. Atualmente, a expectativa do mercado é que a Selic termine 2026 em 13,25%, conforme o boletim Focus do Banco Central, um valor ainda superior ao que se esperava no início do ano.
O cenário de juros altos dificulta a redução das taxas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que é a principal fonte de financiamento para imóveis acima de R$ 600 mil. Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip, destacou que a expectativa era de trabalhar com taxas abaixo de 12% em 2026, mas as condições atuais indicam um cenário mais complicado para o setor.
Os bancos têm utilizado uma combinação de recursos da poupança e Letras de Crédito Imobiliário (LCI) para manter o crédito imobiliário. Embora as LCIs sejam isentas de Imposto de Renda, elas ainda são mais caras que a poupança, resultando em taxas próximas de 12% quando combinadas. Entre janeiro e abril, a poupança registrou uma saída líquida de R$ 31,5 bilhões, mas esse valor foi menor do que no mesmo período de 2024.
Com os juros elevados, o acesso ao crédito para famílias de renda média e alta pode ser restringido, exigindo entradas maiores e reduzindo o percentual financiado. As incorporadoras e corretores devem estar atentos ao perfil de renda dos compradores e às condições comerciais, enquanto investidores devem observar os impactos sobre demanda e lançamentos.
Apesar dos desafios, a Abecip considera o mercado imobiliário resiliente, com destaque para o programa Minha Casa Minha Vida, que continua a sustentar o setor. Em 2025, o crédito imobiliário total cresceu 3%, alcançando R$ 324 bilhões. No entanto, o financiamento de imóveis de maior valor via SBPE caiu 13,4% em relação a 2024.
O setor também enfrenta preocupações com o aumento dos custos de construção, com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subindo mais do que o esperado. Essa combinação de juros altos, aumento do INCC e crédito restrito pode pressionar as margens das incorporadoras e limitar a demanda nos segmentos de médio e alto padrão em 2027.