O mercado imobiliário de luxo em Miami está em plena expansão, impulsionado pela chegada de bilionários que estão deixando a Califórnia. Este movimento ganhou força após a proposta de um imposto estadual sobre grandes fortunas, que ainda está em discussão. A busca por imóveis de alto padrão aumentou significativamente, com muitos compradores interessados em estabelecer residência fiscal na Flórida, conhecida por suas vantagens tributárias.
De acordo com Dina Goldentayer, corretora da Douglas Elliman, há um aumento notável na procura por propriedades entre US$ 30 milhões e US$ 150 milhões. Os compradores estão divididos entre a busca por ativos de prestígio e a necessidade de uma mudança rápida de domicílio fiscal. A privacidade e acordos de confidencialidade são frequentemente exigidos nessas transações.
Entre os compradores de destaque está Larry Page, cofundador da Alphabet, que adquiriu uma mansão por US$ 101,5 milhões e outra propriedade à beira-mar por US$ 71,9 milhões em Coconut Grove. Sergey Brin, também cofundador da Alphabet, está em processo de compra de uma casa em Miami Beach por US$ 50 milhões. Mark Zuckerberg, CEO da Meta, está considerando a compra de uma propriedade na ilha de Indian Creek.
A proposta de imposto na Califórnia prevê uma taxa de 5% sobre patrimônios acima de US$ 1 bilhão, o que tem gerado insegurança jurídica. Andrew Graham, gestor da Jackson Square Capital, mencionou que 8% de seus clientes já deixaram o estado, enquanto 20% estão considerando a mudança. Ele afirmou: “Todo mundo tem um Plano B, inclusive eu.”
O fluxo de capital está fortalecendo o segmento de ultra luxo em Miami, mesmo após uma desaceleração nos preços médios das residências. Entre 2020 e 2025, os preços das casas na região metropolitana subiram cerca de 60%. Em março de 2025, uma mansão foi vendida por US$ 120 milhões, estabelecendo um recorde local. Em 2024, foram registradas 19 vendas acima de US$ 30 milhões, em comparação com nove em 2021 e nenhuma em 2019.
O debate tributário também avança em Washington, onde uma proposta de imposto de 9,9% sobre rendas acima de US$ 1 milhão está em discussão. Este cenário pode redesenhar os fluxos de capital nos Estados Unidos, com estados de menor carga tributária atraindo patrimônio significativo e fortalecendo o mercado de luxo.